sexta-feira, fevereiro 25, 2005
perdida em sonhos
deixa o meu sonho espraiar-se
e senta-te um pouco a meu lado
deixa que adormeça no teu abraço
quando a noite avançar.
persistirei a olhar para ti
mesmo perdida em sonhos
dormindo ou acordada
serás constantemente o meu abrigo
vejo no teu olhar o horizonte
vejo o mar imenso,
solitário
sinto uma dor quase letal
e temo o silêncio duma culpa.
procuro a tua boca
os teus beijos e carícias
esta cama chama por ti
para nos reinventar num só
l.maltez
e senta-te um pouco a meu lado
deixa que adormeça no teu abraço
quando a noite avançar.
persistirei a olhar para ti
mesmo perdida em sonhos
dormindo ou acordada
serás constantemente o meu abrigo
vejo no teu olhar o horizonte
vejo o mar imenso,
solitário
sinto uma dor quase letal
e temo o silêncio duma culpa.
procuro a tua boca
os teus beijos e carícias
esta cama chama por ti
para nos reinventar num só
l.maltez
terça-feira, fevereiro 08, 2005
no murmúrio de um dia cheio de rostos
morrer lentamente
encostado às manhãs frias
com cheiro pestífero de corpos humedecidos
pelos fumos das noites ardidas
os ruídos entram pelas frinchas
e raspam as paredes macilentas
do quarto tíbio
sinuosas sombras bailam no silêncio
alteradas pelo ensejo
só, assumidamente
parei na fria manhã de qualquer lugar
expulsa de saudades
o rapaz que atravessa a rua
ausente das horas leves
mergulha no tempo vazio, sem nexo
como se carregasse o peso do dia
a respiração arrasta-se
pelas esquinas
num regresso ao isolamento
uma voz embalada enegrece na manhã
l.maltez
encostado às manhãs frias
com cheiro pestífero de corpos humedecidos
pelos fumos das noites ardidas
os ruídos entram pelas frinchas
e raspam as paredes macilentas
do quarto tíbio
sinuosas sombras bailam no silêncio
alteradas pelo ensejo
só, assumidamente
parei na fria manhã de qualquer lugar
expulsa de saudades
o rapaz que atravessa a rua
ausente das horas leves
mergulha no tempo vazio, sem nexo
como se carregasse o peso do dia
a respiração arrasta-se
pelas esquinas
num regresso ao isolamento
uma voz embalada enegrece na manhã
l.maltez
segunda-feira, janeiro 31, 2005
entre abraços na sombra das paredes dorme o mar da cidade
a cidade cresceu nas ruas perpendiculares,
nítida
de horas encontradas
dentro de sons
encolhidos na magia da noite
na solidão o homem sonegou as palavras
amontoadas
desceu fantasiando os passos até
chegar ao último degrau da
cidade
de olhar ácido, explorou hesitante
os barulhos do dia
ventos, o restolhar das folhas
gemidos secos, disfarçados
frequentemente, corre sobre si
cansado do canto passado
pérfido na justiça,
remarcado sobre a ausência
dos caminhos de sombra
na cidade, ao fundo
o mar
em projectos quebrados
o homem envelhece duma idade
sem sinais
seduzido pelo mar
sente correr
a suja cidade
resvalando no corpo
a noite toca, violento
despede-se.
l.maltez
nítida
de horas encontradas
dentro de sons
encolhidos na magia da noite
na solidão o homem sonegou as palavras
amontoadas
desceu fantasiando os passos até
chegar ao último degrau da
cidade
de olhar ácido, explorou hesitante
os barulhos do dia
ventos, o restolhar das folhas
gemidos secos, disfarçados
frequentemente, corre sobre si
cansado do canto passado
pérfido na justiça,
remarcado sobre a ausência
dos caminhos de sombra
na cidade, ao fundo
o mar
em projectos quebrados
o homem envelhece duma idade
sem sinais
seduzido pelo mar
sente correr
a suja cidade
resvalando no corpo
a noite toca, violento
despede-se.
l.maltez
sábado, janeiro 22, 2005
sacudi as mãos da poeira do tempo
tenho as mãos impregnadas
do teu perfume
perdi-me de ti,
numa manhã esquecida
piso as ruas atravessadas
ténue nos meus passos
no corpo, fica a saudade
em cada poro
juntei os sonhos
que ficaram calados
nas madrugadas dissolvidas
as horas, essas correm nos dias
onde as cores são proibidas
grito segredos terríveis ao vento,
cansando o corpo
que se desfaz
no leito repousam as desilusões
onde estás?
sinto-te dentro de mim
mas muito longe de ti
l.maltez
do teu perfume
perdi-me de ti,
numa manhã esquecida
piso as ruas atravessadas
ténue nos meus passos
no corpo, fica a saudade
em cada poro
juntei os sonhos
que ficaram calados
nas madrugadas dissolvidas
as horas, essas correm nos dias
onde as cores são proibidas
grito segredos terríveis ao vento,
cansando o corpo
que se desfaz
no leito repousam as desilusões
onde estás?
sinto-te dentro de mim
mas muito longe de ti
l.maltez
domingo, janeiro 16, 2005
o tempo sem aparêcia visível
nasci no tempo,
o mesmo que me virá buscar
um tempo onde o tudo é nada
sempre igual, ao que deixou de ser
anelante de emoções,
no rumo da perfeição
no tempo
cruzei-me com o vento
entrou enfurecido,
seco, forçando rumos
apaguei as dúvidas corrompidas
onde o principio era a noite
que como sempre,
desaparece
perdi palavras, sem peso
nuas, assombradas e secas
a rua era húmida
estranha, impertinente na desordem
não deixei fossilizar o tempo,
regresso no amanhecer da claridade
de um sol que nasce
tempero o dia com o céu que cresce.
l.maltez
o mesmo que me virá buscar
um tempo onde o tudo é nada
sempre igual, ao que deixou de ser
anelante de emoções,
no rumo da perfeição
no tempo
cruzei-me com o vento
entrou enfurecido,
seco, forçando rumos
apaguei as dúvidas corrompidas
onde o principio era a noite
que como sempre,
desaparece
perdi palavras, sem peso
nuas, assombradas e secas
a rua era húmida
estranha, impertinente na desordem
não deixei fossilizar o tempo,
regresso no amanhecer da claridade
de um sol que nasce
tempero o dia com o céu que cresce.
l.maltez
sábado, janeiro 08, 2005
estrela do mar
vi-te estrela
encontrei-te a meus pés
eras estrela do mar
com cinco pontas de sal
não tinhas cor azul
o azul do céu ou do verde mar
sem luz,
frágil e fria,
branca cinza
peguei-te da maneira mais meiga
e próxima de mim chamei-te paixão
o sol escaldava
sufocava ao respirar
escutava o mar e o vento
transparente naquele calor ardente
perdi-me no tempo,
no silêncio entre mim,
a estrela e o mar
devagar a escuridão desceu inquieta
era tempo de voltar
de disfarçar calada
dores distorcidas
abracei-te de novo com meiguice
e chamei-te paixão
o ar ficou mais doce
fez-me sorrir de alegria
era urgente descobrir loucuras de emoção
em silêncio sobre ela adormeci
l.maltez
encontrei-te a meus pés
eras estrela do mar
com cinco pontas de sal
não tinhas cor azul
o azul do céu ou do verde mar
sem luz,
frágil e fria,
branca cinza
peguei-te da maneira mais meiga
e próxima de mim chamei-te paixão
o sol escaldava
sufocava ao respirar
escutava o mar e o vento
transparente naquele calor ardente
perdi-me no tempo,
no silêncio entre mim,
a estrela e o mar
devagar a escuridão desceu inquieta
era tempo de voltar
de disfarçar calada
dores distorcidas
abracei-te de novo com meiguice
e chamei-te paixão
o ar ficou mais doce
fez-me sorrir de alegria
era urgente descobrir loucuras de emoção
em silêncio sobre ela adormeci
l.maltez
fiz de ti a minha "roupa-velha"
terminou um ano, velho, cansado, antigo. como se fosse uma colina do instante,
cheio de tristezas e alegrias, cheio de pressas e frenesins. terminou!
deitei fora a “roupa-velha” vesti-me de novo e entrei no cantar do relógio das doze badaladas, com o meu cheiro a maresia, pois quero mudar, mudar principalmente de mim.
onda - l.maltez
terça-feira, dezembro 21, 2004
de asas transparentes e voar no pensamento
disse sim
à vida ainda no ventre de minha mãe
um sim
quando tentei falar
sim,
quando as regras me impunham a chorar
um sim
ao meu primeiro beijo
tantos sins pela vida fora
às ilusões,
desilusões
aos mistérios,
aos prazeres
sim
ao fascínio e ao sonho
à imagem verdadeira do amor
às horas de incerteza
sim
aos queixumes
e lamentos da noite
às lágrimas que
teimavam em cair sem beleza
talvez noutro momento,
noutra lembrança
de poder
o meu pensamento
na calma de uma liberdade já passada
em qualquer altura,
mesmo agonizada,
conseguisse dizer não
não ao obsessivo
poeirento caminho
não ao hábito
da noite
não à dor
de infortúnios
não no momento
de nascer
onda
à vida ainda no ventre de minha mãe
um sim
quando tentei falar
sim,
quando as regras me impunham a chorar
um sim
ao meu primeiro beijo
tantos sins pela vida fora
às ilusões,
desilusões
aos mistérios,
aos prazeres
sim
ao fascínio e ao sonho
à imagem verdadeira do amor
às horas de incerteza
sim
aos queixumes
e lamentos da noite
às lágrimas que
teimavam em cair sem beleza
talvez noutro momento,
noutra lembrança
de poder
o meu pensamento
na calma de uma liberdade já passada
em qualquer altura,
mesmo agonizada,
conseguisse dizer não
não ao obsessivo
poeirento caminho
não ao hábito
da noite
não à dor
de infortúnios
não no momento
de nascer
onda
segunda-feira, dezembro 20, 2004
em cada silêncio mergulha a palavra
aqui
junto à praia fundi palavras
os olhos, esses transformaram-se
adquiriram o brilho da cor da madrugada,
o sol partiu,
evaporou-se entre nuvens cinzentas
deixou sombras de um tempo passado,
ficou só o barulho das aves em grupos,
respiro em silêncio o cheiro do mar
anoiteceu mais cedo
a lua brilha tanto como o sol
aqui deixo-me ficar
numa amarga memória de inspiração alheia
imaginando ouvir palavras que esperei
tenho como companhia a noite
que me persegue e assusta,
já nada possuo em mim
amanheceu,
prendi-me ao esquecimento
por tanto amar
espero o dia que sobrevirá ao outro
onda
junto à praia fundi palavras
os olhos, esses transformaram-se
adquiriram o brilho da cor da madrugada,
o sol partiu,
evaporou-se entre nuvens cinzentas
deixou sombras de um tempo passado,
ficou só o barulho das aves em grupos,
respiro em silêncio o cheiro do mar
anoiteceu mais cedo
a lua brilha tanto como o sol
aqui deixo-me ficar
numa amarga memória de inspiração alheia
imaginando ouvir palavras que esperei
tenho como companhia a noite
que me persegue e assusta,
já nada possuo em mim
amanheceu,
prendi-me ao esquecimento
por tanto amar
espero o dia que sobrevirá ao outro
onda
quarta-feira, dezembro 08, 2004
este é o vento que chega correndo em seus cantos
louco o vento
no sopro vibrante da melodia
cantou agitado
bailou nas folhas outonais
sóbrio
impertinente
flutuou nos sonhos
despertou preguiçoso
no jejum do dia
saudando a branca manhã
sem peso renovasse
confunde os melhores.
poderoso e livre
torna a doce brisa amarga
engana de frente ou pelas costas
em gritos esfumados
arrasa cruel sem se deter
quebra pela força
a beleza da vida presente
onda
no sopro vibrante da melodia
cantou agitado
bailou nas folhas outonais
sóbrio
impertinente
flutuou nos sonhos
despertou preguiçoso
no jejum do dia
saudando a branca manhã
sem peso renovasse
confunde os melhores.
poderoso e livre
torna a doce brisa amarga
engana de frente ou pelas costas
em gritos esfumados
arrasa cruel sem se deter
quebra pela força
a beleza da vida presente
onda
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